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Infecções congênitas: o que são e como proteger seu bebê

Entenda o que são as infecções congênitas (STORCH+Z) e como a transmissão da mãe para o bebê ocorre. Saiba quais os riscos e como o pré-natal é vital.
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Equipe Santa Joana - Equipe Santa Joana Atualizado em 24/04/2026
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Infecções congênitas são aquelas transmitidas da mãe para o feto durante a gestação, através da placenta. Entenda como o pré-natal é a principal prevenção para infecções na gravidez.

A descoberta da gravidez traz um misto de alegria e muitas dúvidas. Entre exames e preparativos, a saúde do bebê se torna a prioridade máxima. Uma das preocupações que surgem nesse período é o risco de infecções que podem ser passadas da mãe para o feto, conhecidas como infecções congênitas.

Embora o tema possa gerar ansiedade, a informação é a melhor ferramenta de prevenção. Compreender o que são essas doenças e como o acompanhamento médico adequado faz toda a diferença é o primeiro passo para uma gestação mais segura e tranquila.

O que exatamente são infecções congênitas?

Infecções congênitas ocorrem quando um microrganismo, como um vírus, bactéria ou parasita, infecta a gestante e consegue atravessar a barreira da placenta, chegando até o feto. Esse processo é chamado de transmissão vertical.

Muitas vezes, a mãe pode ter uma infecção leve ou até mesmo não apresentar sintomas, mas o agente infeccioso ainda assim pode ser transmitido. O primeiro trimestre é o período de maior risco para malformações, embora a transmissão possa ocorrer em qualquer fase da gestação.

Identificar o agente infeccioso com precisão é fundamental para o tratamento adequado e para proteger a saúde do bebê.

Quais são as principais infecções do grupo STORCH+Z?

Para facilitar o rastreamento durante o pré-natal, as infecções congênitas mais comuns foram agrupadas em um acrônimo: STORCH+Z. Cada letra representa uma doença ou um grupo de doenças com potencial de afetar o desenvolvimento fetal.

S de Sífilis

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST). Quando não tratada na gestante, pode causar aborto, parto prematuro ou graves problemas no recém-nascido, como malformações ósseas, surdez e cegueira. O diagnóstico é feito por um exame de sangue simples e obrigatório no pré-natal. O tratamento é eficaz e seguro para a mãe e o bebê.

T de Toxoplasmose

A toxoplasmose é causada por um parasita encontrado em fezes de gatos, solo e carnes cruas ou mal cozidas. Na maioria dos adultos, é assintomática. No feto, porém, pode levar a sequelas neurológicas e oculares sérias. A prevenção envolve:

  • Evitar o consumo de carnes cruas ou mal passadas.
  • Lavar bem frutas, verduras e legumes.
  • Utilizar luvas ao manusear terra ou limpar a caixa de areia de gatos.

O de Outras infecções

Esta letra engloba diversas outras doenças importantes, como HIV, Hepatites Virais (principalmente a B) e Varicela (catapora). O rastreamento para HIV e hepatites faz parte dos exames de rotina do pré-natal, permitindo a adoção de medidas para reduzir drasticamente o risco de transmissão para o bebê.

Dentro do grupo 'Outras infecções', a doença de Chagas também merece atenção. Assim como a sífilis e a toxoplasmose, a infecção por Chagas pode ser transmitida da mãe para o bebê.

R de Rubéola

A rubéola é uma infecção viral que, se contraída durante a gravidez, pode resultar na Síndrome da Rubéola Congênita, causando surdez, catarata e problemas cardíacos no bebê. A doença é prevenível por meio da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), que deve ser administrada antes da mulher engravidar.

C de Citomegalovírus (CMV)

O citomegalovírus é o vírus mais comum transmitido da mãe para o feto. Na maioria das vezes, a infecção congênita por CMV não causa sintomas no recém-nascido. No entanto, uma pequena parcela dos bebês infectados pode desenvolver problemas auditivos, de visão e de desenvolvimento neurológico ao longo do tempo.

O Citomegalovírus possui proteínas que ajudam na sua propagação pelo corpo, o que torna a vigilância constante e exames frequentes no pré-natal essenciais. A detecção precoce do CMV é essencial para evitar complicações graves e garantir a segurança do bebê.

H de Herpes Simples

O vírus do herpes simples (HSV) é geralmente transmitido ao bebê durante o parto, caso a mãe tenha lesões genitais ativas. A infecção neonatal pelo herpes é rara, mas pode ser grave, afetando a pele, os olhos e o sistema nervoso central do recém-nascido.

Z de Zika Vírus

Transmitido principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti, o Zika Vírus tornou-se uma grande preocupação de saúde pública após ser associado a um aumento nos casos de microcefalia e outras anomalias cerebrais em bebês de mães infectadas durante a gestação.

Como essas infecções podem afetar o bebê?

As consequências de uma infecção congênita variam muito, dependendo do agente infeccioso e da fase da gestação em que a transmissão ocorreu. Os efeitos podem ser notados logo ao nascer ou se manifestar meses ou anos depois.

As principais complicações incluem:

  • Gerais: baixo peso ao nascer, prematuridade, icterícia (pele amarelada) e aumento do fígado e do baço.
  • Neurológicas: microcefalia (cabeça com tamanho menor que o esperado), calcificações cerebrais, convulsões e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
  • Sensoriais: perda auditiva (surdez) e problemas de visão, como retinocoroidite (inflamação da retina) e catarata.

Qual é o papel do pré-natal na prevenção e diagnóstico?

O acompanhamento pré-natal é a estratégia mais importante para a saúde da gestante e do bebê. É por meio dele que o médico solicita os exames capazes de identificar essas infecções precocemente, permitindo que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível para evitar ou minimizar os danos ao feto.

Exames essenciais no pré-natal

Os exames de sangue, conhecidos como sorologias, são realizados no início e, em alguns casos, repetidos ao longo da gestação. Eles detectam a presença de anticorpos contra os agentes da sífilis, toxoplasmose, rubéola, HIV e hepatites. O resultado orienta a conduta médica, seja para iniciar um tratamento, tranquilizar a gestante ou reforçar as medidas de prevenção.

Medidas preventivas durante a gestação

Além dos exames, algumas atitudes simples são fundamentais para reduzir o risco de contrair infecções. Manter a carteira de vacinação em dia antes de engravidar é o primeiro passo. Durante a gestação, é importante adotar cuidados de higiene, como lavar as mãos com frequência, cozinhar bem os alimentos e evitar contato com pessoas doentes.

Existe tratamento para infecções congênitas?

Sim, para muitas dessas infecções existem tratamentos. No caso da sífilis e da toxoplasmose, por exemplo, o tratamento da gestante é eficaz para prevenir a transmissão da doença ao bebê. Quando a infecção já foi transmitida, o recém-nascido também pode receber tratamento específico após o nascimento.

O mais importante é que todo o processo seja conduzido por uma equipe de saúde qualificada. O diagnóstico precoce e o manejo adequado aumentam significativamente as chances de a criança ter uma vida saudável e com menos sequelas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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