
O exame preventivo rastreia alterações celulares no colo do útero antes que elas se tornem problemas graves.
Você veste o avental e aguarda na maca do consultório ginecológico para a sua consulta de rotina. Nesse momento de espera, é comum surgir a dúvida sobre o que exatamente o médico procura ao realizar aquele procedimento rápido. O exame papanicolau, popularmente chamado de preventivo ou colpocitologia oncótica, é a principal ferramenta da medicina para proteger a saúde íntima feminina contra doenças silenciosas.
O rastreamento precoce salva vidas. A coleta regular das células cervicais permite que os profissionais de saúde identifiquem anormalidades muito antes do aparecimento de qualquer sintoma. Assim, o tratamento é feito de maneira menos invasiva e com altas taxas de sucesso.
O Hospital Santa Joana conta com ginecologistas renomados que podem fazer o acompanhamento da saúde da mulher. Ele está localizado na Avenida Joaquim Nabuco, 200, no bairro do Recife.
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Quais são as doenças que o papanicolau descobre?
O foco primário do preventivo é a detecção de anomalias celulares no colo do útero. O teste procura especificamente por mudanças na estrutura das células que indicam um risco futuro. Podemos dividir os achados do exame em categorias principais de diagnóstico.
A primeira e mais importante é a detecção de lesões pré-cancerígenas e do câncer cervical em estágio inicial. As células do colo do útero passam por mutações graduais ao longo dos anos. A citopatologia com coloração de Papanicolau capta essas células atípicas, permitindo tratar a condição precocemente antes que ela evolua para um tumor maligno invasivo.
O segundo achado comum envolve as alterações provocadas pelo papilomavírus humano, o HPV. O exame analisa com precisão as alterações causadas no núcleo das células por essa infecção. Identificar essas modificações no tecido é fundamental para monitorar a saúde da mulher, visto que o vírus é o principal responsável pelo câncer cervical.
Além das questões oncológicas, o método auxilia na identificação de outros agentes infecciosos e processos inflamatórios. O exame relata sinais de inflamações cervicais e alterações na flora vaginal. Entre os agentes frequentemente identificados estão:
- fungos causadores da candidíase;
- bactérias associadas à vaginose, como a Gardnerella vaginalis;
- parasitas responsáveis pela tricomoníase.
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O exame preventivo detecta condições como gravidez ou sífilis?
Muitas mulheres acreditam que a coleta ginecológica funciona como um check-up geral para qualquer doença pélvica, o que não procede. O papanicolau analisa apenas a morfologia das células descamadas do colo do útero e da parede vaginal. Ele não mede hormônios no sangue e não visualiza órgãos internos.
O teste não detecta gravidez. A confirmação de uma gestação exige a medição do hormônio beta-hCG no sangue ou na urina, além de exames de ultrassom. Da mesma forma, o papanicolau não identifica miomas uterinos, cistos nos ovários ou endometriose, pois essas condições ocorrem em tecidos internos que a escova de coleta não alcança.
Em relação às infecções sexualmente transmissíveis, o preventivo tem limitações. Ele não diagnostica infecção por HIV, sífilis ou hepatites virais. O diagnóstico dessas patologias requer exames de sangue sorológicos específicos solicitados pelo médico durante a consulta de rotina.
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Como o médico realiza a coleta durante a consulta?
A coleta é um procedimento simples e rápido, realizado no próprio consultório. O profissional de saúde solicita que a paciente deite na maca em posição ginecológica para iniciar a inspeção visual e a extração da amostra.
O primeiro passo envolve a introdução de um instrumento chamado espéculo na vagina. Esse dispositivo afasta as paredes vaginais e permite a visualização direta do colo do útero. É normal sentir uma leve pressão nesse momento, mas a etapa não costuma ser dolorosa se a musculatura pélvica estiver relaxada.
Em seguida, o médico utiliza uma espátula de madeira e uma pequena escova para raspar suavemente a parte externa e interna do colo do útero. Esse material coletado é espalhado em uma lâmina de vidro ou colocado em um frasco com meio líquido. O uso do meio líquido melhora a visualização das células ao microscópio e facilita a identificação precisa de microrganismos.
O que aparece no resultado de um papanicolau normal ou alterado?
O laudo do laboratório segue uma nomenclatura padrão para facilitar a conduta médica. Um resultado normal geralmente traz a descrição "negativo para lesão intraepitelial ou malignidade". Isso significa que as células analisadas estão saudáveis e que não há indícios de processos pré-cancerígenos em andamento.
Quando o exame acusa alterações, o laudo descreve o grau da anormalidade encontrada. Termos como ASC-US, lesão de baixo grau ou lesão de alto grau indicam que as células apresentam formatos atípicos. Receber um laudo alterado gera ansiedade, mas a alteração celular na maioria dos casos não significa a presença de câncer.
Diante de um resultado atípico, o ginecologista solicita exames complementares. A colposcopia é o próximo passo habitual. Esse procedimento utiliza lentes de aumento para examinar o colo uterino em detalhes, permitindo guiar biópsias quando necessário para confirmar o diagnóstico.
Com qual frequência o rastreamento deve ser feito?
A periodicidade do exame depende das diretrizes de saúde pública e do histórico individual da paciente. O Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Mundial da Saúde estabelecem protocolos claros para organizar a prevenção.
A recomendação oficial indica que mulheres que já iniciaram a atividade sexual devem iniciar o rastreamento aos 25 anos. Os dois primeiros exames são realizados com intervalo de um ano. Se ambos os resultados forem normais, a coleta passa a ocorrer a cada três anos.
O rastreamento segue de forma periódica até os 64 anos de idade. Após essa faixa etária, se a mulher mantiver exames anteriores com resultados normais, o médico pode suspender a rotina de coletas.
Mulheres com histórico de lesões de alto grau ou imunossuprimidas necessitam de acompanhamento mais frequente, com intervalos definidos pelo especialista.
Diretrizes básicas de rastreamento do Ministério da Saúde
| Situação da paciente | Frequência recomendada |
|---|---|
| Idade entre 25 e 64 anos (início do rastreio) | Anual (nos dois primeiros anos) |
| Após dois exames anuais normais seguidos | A cada três anos |
| Mulheres imunossuprimidas | Semestral ou anual, conforme indicação médica |
Manter a rotina de consultas atualizada garante a eficácia da prevenção. Comparecer ao consultório, esclarecer dúvidas e realizar a coleta no tempo adequado protegem a saúde da mulher em todas as fases da vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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